Viagem da vida

Eu estou em um carro. No banco do passageiro. Viajando. Alguém muito importante e que me ama está me levando a algum lugar. Eu não sei dirigir. Mas não preciso me preocupar com a direção, com as marchas, com os freios. O motorista saberá a hora de parar e onde parar. Ele e eu sabemos o que deixamos para trás e o que trazemos na bagagem.

O caminho é longo. É esburacado. Eu enjoo fácil. As vezes peço para parar e descansar. Ele para. Sentamos na estrada e descanso encostando em seu ombro. Às vezes decido desistir. Nos lugares que queria ficar ele não para. Eu não entendo. Entristeço. Choro. Em outras vezes a gente para no sinal vermelho. E tudo bem. Mas quando o sinal fica verde ele não segue. Todos os outros seguem. Choro de novo. “Não é a nossa vez” -Ele diz-. Confio. Depois seguimos viagem. Com mais algumas coisas na bagagem.

Quando o carro vai ficando pesado paramos em uma praia. Jogo no mar aquilo que não preciso mais. Voltamos. Continuamos. Enjoo de novo. Eu não sei para onde eu estou indo. Dói. Mas eu tenho um carro. Eu tenho um motorista. Tenho uma estrada. Eu não preciso me preocupar com o fato de não saber dirigir. Ele não dorme. Ele só para quando preciso e só segue quando é a minha vez.

– O motorista é meu Pai. Deus. A estrada é tudo o que ele escreveu para mim. Ela está, literalmente entregue em suas mãos.

Te amo, Papai. Obrigada por me fazer filha tua.”

P.s.: Escrito durante uma crise de pânico.

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