Um amor sem título

Eu não pensei que escreveria sobre você, até porque já rasguei tudo o que havia de escrito sobre nós dois. Aliás, sobre eu e esse amor que era só meu. Hoje olhei para a lua e senti um nó na garganta. Ele apertava tanto! Tanto que não consegui não chorar por dentro. Tanto que não consegui dizer a ela que todos os recados que pedi para que transmitisse a você não deram certo.

E tudo bem. Era só uma lua, mas o meu amor era tão puro e tão sincero que até ela testemunhava as minhas vontades de te ter. A mesma lua que representava minha noite também iluminava você (mesmo que não a visse), as mesmas estrelas ao redor dela eram as mesmas que, quem sabe, você estivesse percebendo, o céu sob minha cabeça era o mesmo céu que cabia nas tuas imensidões.

Antes que você pense como isso era romântico, adianto que não. Não era nada disso. Os anos que amei você sozinha, que virei noites pensando em como fazer para você saber de tudo, as madrugadas em que eu perguntava a Deus se o tamanho desse amor poderia ser real e silencioso ao mesmo tempo… Nada disso me deixava mais romântica. Acredite!

Algo muito forte dentro de mim travava o “Olá, eu amo você.”. Era um receio absurdo de ouvir o “não” ou a dura responsabilidade de ser a garota certa em um momento completamente errado (e o pior era saber que isso seria apenas a frase feita de alguém que não apresentava reciprocidade ao amor declarado por outra pessoa).

É… O tempo passou, a maturidade mudou e amor não. As conversas até aconteceram, as promessas de vinhos até foram feitas. Mas aconteceram tantas coisas comigo que você não entenderia se eu as contasse.

Seis, sete anos… E hoje. O hoje que descobri que você já encontrou o motivo da sua felicidade, que o cadeado que me prendia a você, agora é seu e de outra pessoa. Este é um texto duro de escrever: Dói. Mas me liberta. Me liberta de novas tentativas, de achar que ainda poderia dar certo e por expandir antigas ideias sobre mim baseadas no teu agrado.

Dói. Mas agora REALMENTE sou só eu. Eu e uma profunda saudade do que nunca foi, mas que passa. Eu e a vontade de que sua felicidade seja tão comprida e real quanto qualquer “melhor” comparação que você possa achar. Dói. E o que existe não é o medo de amar novamente. É o medo de não amar alguém como amei você todo esse tempo. Entende?

Dói. Mas agora renasci das cinzas (pode parecer dramático, mas é verdade). Porque o meu amor me prendia, me escondia, me prensava. Dói, mas agora eu e a enorme vida que tenho pela frente me farão acreditar na outra verdade que me falta viver: a de que a minha felicidade está no que eu construo dentro de mim a partir de cada momento. Que felicidade não é uma pessoa só. Que felicidade é um conjunto de “eu” lutando por mim e por um mundo melhor.

E não. Eu não vou terminar isso dizendo “eu ainda te amo”, porque isso não é uma declaração de amor. É uma declaração de fim.

2 comentários em “Um amor sem título”