Sumi

img_3028.jpgSumi porque era a única maneira de fugir de você, de mim mesma, porque o silêncio, apesar de doer, é uma porta para escapar das armadilhas que o coração por vezes impõe.

Sumi, antes que o coração me traísse, mesmo não querendo, mesmo relutando para ficar mais um pouco, mesmo dizendo para mim que era o que deveria ser feito, embora nem eu mesma quisesse isso ou acreditasse nessa compulsória decisão.

Sumi porque uma agonia me esmagava o peito, porque estava sentindo uma pontada tão grande de saudade que é difícil colocar em palavras, porque essa sensação de falta, de vontade de correr, de voltar, de dizer alguma coisa poderia me deixar fraquejar.

Sumi porque sou desajeitada com os sentimentos, embora eu saiba o que sinto aqui no peito, porque sou transparente, embora relute em não deixar transparecer qualquer resquício dessa luta interna que trago dentro de mim.

Sumi para parecer desinteressada, por medo de ser rejeitada, para confessar a mim mesma que era capaz de uma atitude que me traria sofrimento, mas que, na minha cabeça, me pouparia de uma decepção iminente.

Sumi porque não via ressonância do outro lado, porque a sensação de caminhar sozinha me entristecia, porque a paciência que construí caiu por terra em meio ao silêncio que recebia constantemente.

Sumi porque precisei impor um limite para o meu sentir, porque inconscientemente queria que você sentisse a minha falta, embora isso nunca venha a acontecer verdadeiramente. E esse faz-de-conta me ajuda a não sucumbir à verdade que me espreita dia após dia.