Rosto pintado de palhaço (coringa)

Put on a happy face

Não é que eu não goste de sorrir pela manhã. Eu até sorrio. Na maioria das vezes quando estou sozinho. Saudar o dia com um gesto de beleza é algo tão particular que prefiro guardar em segredo. Como uma oração ou tudo o mais que é particular e requisite pudor.

“Mas sorrisos devem ser distribuídos de graça. Quanto mais, melhor”.

Por quê? Só eu sei o preço que pago por cada sorriso meu. Só eu sei qual o valor de mostrar os meus dentes e expor um retrato das minhas confusões internas. Tem uma frase de um autor do qual não me lembro o nome que diz

“Desculpa não poder desperdiçar sorrisos, eles têm me custado muito caro”.

Mas se há economia de um lado, há também um preço a ser pago de outro por escolhas assim. Hoje carrego um rótulo de identificação que diz “mal-humorado até umas dez da manhã”. Não tem importância. Faço até graça. Rótulos fazem parte dos recursos que as pessoas usam para dizer como entendem você. É algo que está fora e não dentro e, por consequência, transitório. E é engraçado sim.

Não que eu tenha hora definida para sorrir. Mas prefiro que seja espontâneo e que de fato represente um sentimento autêntico. Reparei que sinto mais remorso por um sorriso dado de conveniência do que por um escondido pelo silêncio contemplativo.

Eu me pergunto se é assim mesmo, mas até agora eu não achei um certo ou errado. Mas o fato é que estou mesmo parando de me incomodar.

     Esquisito? Singular.
     Antipático? Preguiçoso.
     Triste? Introspectivo.
     Ranzinza? Só até às dez da manhã.

📷 @launchdsigns


Sobre o autor

Piauiense e escritor. Seria fácil esboçar palavras que criassem em seu pensamento a ideia de quem sou, mas que porra de sentido isso faria se as mesmas meras palavras nas quais tentaria me descrever são meios que uso para compor fantasias em uma caótica realidade? Se queres um nome, me chamo Franklin, porém para saber quem sou, chegue um pouco mais perto e já que “talvez” você não possa, então contente-se com sua imaginação nas vagas idéias que terá sobre quem eu sou.

Publicado por

Franklin S. Monteiro

Piauiense e escritor. Seria fácil esboçar palavras que criassem em seu pensamento a ideia de quem sou, mas que porra de sentido isso faria se as mesmas meras palavras nas quais tentaria me descrever são meios que uso para compor fantasias em uma caótica realidade? Se queres um nome, me chamo Franklin, porém para saber quem sou, chegue um pouco mais perto e já que “talvez” você não possa, então contente-se com sua imaginação nas vagas idéias que terá sobre quem eu sou.

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