Ponte de madeira

O que te completa?

Barulho de chuva no telhado, mais um sonho pra sonhar. Um frio na barriga, coisas boas acontecendo, ver seus filhos crescendo. Entender as coisas complicadas do universo para dar valor as mais simples. Bocejar com gosto, afagar com beijo e dividir um desejo.

Ter mais uma chance, escrever um poema e resolver um problema. Mudar de cabelo, assoviar estalando o dedo, andar contra o vento e esperar tudo há seu tempo. Comer fruta madura mesmo que seja de dentadura, envelhecer com rugas, mas manter a postura.

Amar quem se ama, ou começar um amor, tomar banho de mangueira e fingir que é cachoeira.

“O que te completa?”

Andar por uma vida curva ou procurar uma reta? Vá a pé ou compre uma bicicleta, seja lá do jeito que for procure sua meta. Ria alto, fale baixinho, explique com paciência, perdoe com o coração e ame com mais paixão, não critique o que não conhece, não discuta aquilo que não entende, aprenda tudo que puder e aplique quando quiser.

Seja você, ame você, concorde com você, discorde de você, dê um presente a você. Não se pergunte o quanto falta, não procure ter certeza de tudo, seja bem vindo ao verdadeiro mundo.

Acredite em Deus, preserve o bom e o belo e acredite nos seus. Lá vem mais uma estação, dizem que tem as cores do verão. Sair do inferno, aproveitar o inverno. Buscamos em todos os lugares e procuramos sinais, esquecemo-nos, no entanto que é no outono que as folhas caem.

Esperamos tanto a chegada de uma nova era, que nem percebemos quando já é primavera.

“O que te completa?”

Tire o dia para jogar bolinha de gude, nadar no açude e bater figurinha. Faça um campeonato de cuspe a distância, dance ciranda, brinque de pega-pega e volte a sua infância.

Respire fundo, observe o mundo, dê um tempo a si mesmo. Não espere nada de ninguém, não ajude com estardalhaço, não cobre o que não merece e não espere colher o que não plantou.

Seja discreto, seja sincero, fale a verdade, ela dói. Mas os que a dizem possuem mais chances de serem perdoados e perdoarem a si mesmos. Não escolha vinho apenas pelo rotulo, nem livro pela capa e muito menos pessoas por aparência. Respeite as deficiências e não seja tão duro com exigências.

“O que te completa?”

Musicas para dançar, historias para contar e memorias boas pra relembrar. Fé na vida, fé em você mesmo e fé na caminhada. A solidão que apascenta a alma numa tarde chuvosa com sua bebida e seu livro predileto, e a solidão em meio às multidões.

Tempo para fazer tudo, e tempo para poder simplesmente não fazer nada e descansar na beira da estrada. Deve ser questão de tempo andar no sol esperando pelo vento. Deve ser por conta da fase da lua que tudo fica mais belo no meio da rua.

As bailarinas com suas sapatilhas magicas, o som de um violino ao fundo e eu sorrindo por dentro aqui no meu próprio mundo. Ouvi segredos que prefiro não dizer, vi cores que não consegui distinguir, não entendi as regras e por isso quebrei algumas.

Você que tem sonhos grandes demais e essa mente inquieta, nem sempre perguntas são necessárias e nem sempre a resposta é certa. Vivemos um pedaço de cada vez. Na verdade são quebra cabeças que são montados para que o todo seja mostrado.

Nada é tão certo que não esteja errado, nada é tão duro que não seja quebrado, nada é tão vazio que não possa ser preenchido e nada que sobe esta livre da queda, mas o conselho é sempre o mesmo:

“Dê valor a tudo que te completa.

📷 @nocturnalcoonz

 

Sobre o autor

Piauiense e escritor. Seria fácil esboçar palavras que criassem em seu pensamento a ideia de quem sou, mas que porra de sentido isso faria se as mesmas meras palavras nas quais tentaria me descrever são meios que uso para compor fantasias em uma caótica realidade? Se queres um nome, me chamo Franklin, porém para saber quem sou, chegue um pouco mais perto e já que “talvez” você não possa, então contente-se com sua imaginação nas vagas idéias que terá sobre quem eu sou.

Publicado por

Franklin S. Monteiro

Piauiense e escritor. Seria fácil esboçar palavras que criassem em seu pensamento a ideia de quem sou, mas que porra de sentido isso faria se as mesmas meras palavras nas quais tentaria me descrever são meios que uso para compor fantasias em uma caótica realidade? Se queres um nome, me chamo Franklin, porém para saber quem sou, chegue um pouco mais perto e já que “talvez” você não possa, então contente-se com sua imaginação nas vagas idéias que terá sobre quem eu sou.