Homem pulando entre pássaros

Carta para esperança

Pensava que esperança não havia rosto, não havia forma, nem tamanho. Pensava que era utopia, desejo inventado para fugir do terror e apenas atrasar o pior. Mas ela tem um par de olhos bem escuros, uma alma que o tempo não levou, e uma gargalhada que abraça teus medos, e os coloca para dormir.

Me enganei sobre muitas coisas. Errei ao pensar que o amor era uma fantasia literária. Ao pensar que até as formas mais simples de beleza eram baseadas em sua superficialidade.

Me enganei ao supor que tudo está fadado ao fim, e completar dizendo que nada fará sentido até lá. Falhei quando decidi desistir de lutar pelo amanhã, de lutar pelo meu amanhã. Preferia fugir de tudo que eu podia fugir.

Mas aquela esperança não se mexeu, nem saiu dali. Continua parada, sentada, encostada no sofá, com os pés pendurados, a alma e o corpo livres. Seus olhinhos de repente se viraram para mim, e vejo o mundo.

A esperança me deu um abraço e me beijou a testa. Perguntou:
— “Por que está tão triste?” — E enxugou minhas lágrimas com seus dedinhos, seus polegares deslizaram em minhas bochechas.
— “A tristeza não tem mais lugar em mim. Não depois de você.”
— “Então por que ainda chora?”

Segurei-o no colo, e acariciei seus cabelos.
— “Choro porque nada mais faz sentido sem você. Você é esperança.”
— “Espero que isso seja de comer, ou de brincar.”

Sorrio para a esperança.
— “É de viver.”

📷 @focuscada


Sobre o autor

Olá, como vai? Meu nome é Brunna Gabardo, e sou de Curitiba, PR. Sou estudante de jornalismo.
Uma vez me disseram que a arte consola aqueles que estão quebrados pela vida (Van Gogh).
Que os escritores que escrevem bem, são os que o fazem para não enlouquecer (Bukowski).
Escrevo porque não sei o que fazer de mim (Clarice Lispector).
Por isso que estou aqui, só me resta dançar sobre os destroços.

Publicado por

brunnagabardo

Olá, como vai? Meu nome é Brunna Gabardo, e sou de Curitiba, PR. Sou estudante de jornalismo. Uma vez me disseram que a arte consola aqueles que estão quebrados pela vida (Van Gogh). Que os escritores que escrevem bem, são os que o fazem para não enlouquecer (Bukowski). Escrevo porque não sei o que fazer de mim (Clarice Lispector). Por isso que estou aqui, só me resta dançar sobre os destroços.